ai de vós que faltem!
4.5.11
Orgulho

A 6ª Marcha LGBT do Porto já tem cartaz e, pela primeira vez na história da Marcha LGBT do Porto, tem um cartaz bonito. Bonito e não só. É cool (adjectivo que condiz com a cidade nos tempos que correm), puxa a atenção de quem passa na rua, e remete-me ao imaginário das noites disco dos eighties - não sei explicar porquê. Daqui a umas semanas as ruas do Porto estarão repletas de cartazes que lhes darão mais estilo, por uma causa nobre.
Acrescento, rematando, que o dito projecto foi desenhado pelo meu ex-namorado, que assim venceu o concurso do cartaz deste ano.
E estou orgulhoso por todas as razões e mais alguma.
(prometo postar uma versão em grande mal arranje)
3.5.11
Pose
Foi um fim de semana de viagem, de álbuns novos no iPod, de horas a caminhar por trilhos de terra batida, de jantaradas com os amigos, de revelações. Em dois anos (and counting) sem uma relação que mereça esse nome, pergunto-me o que vai mal. Suspeito-me frio, arrogante, indeciso, complicado, vago, aos olhos dos outros. Têm razão. Mas, acreditem, a pose não é por indiferença ou arrogância. É por o que ele canta, tal e qual, sem tirar nem pôr.
(foolish, indeed.)
(foolish, indeed.)
28.4.11
26.4.11
9 de Julho
Ver Marcha Orgulho LGBT no Porto 2011 num mapa maior
o percurso da 6ª MOP - este ano ligeiramente diferente, com a descida de 31 de Janeiro em vez de Passos Manuel.
o percurso da 6ª MOP - este ano ligeiramente diferente, com a descida de 31 de Janeiro em vez de Passos Manuel.
25.4.11
Canção, revolução e povo
Homem de Melo
Paulo de Carvalho
Fado Canção
Ary
Zeca
Sérgio Godinho
Novo Fado
Chico
Samba
e tantas, tantas mais.
Paulo de Carvalho
Fado Canção
Ary
Zeca
Sérgio Godinho
Novo Fado
Chico
Samba
e tantas, tantas mais.
22.4.11
20.4.11
Fuzzy (ou notas do submundo)
Certo dia recebo esta mensagem numa rede online de engate: "olá rapagão". Começa aqui a minha novela de desventuras com o Fuzzy [baptizo assim o rapaz por um duplo sentido: pessoa vaga, confusa, e fisicamente parecido com a personagem de mesmo nome].
Antes de mais, parece-me adequado relembrar que quando alguém decide engatar na net tem de perceber que, apesar da imaterialidade que separa a realidade virtual da física, os intervenientes não deixam de ter existência e, sobretudo, consciência no mundo - num e noutro.
Eu conhecia o Fuzzy e ele conhecia-me, de vista, de amigos em comum, do meio, do Porto.
O menino faz, então, por mandar dois piropos com graça e adiciona-me nas redes online de socialização (por meu consentimento e vontade, entenda-se). O menino não tem o meu sentido de humor, incomoda-se por pouco e não parece captar uma palavra de ironês; mas tem lata, garra de revolta e, vá, é giro. Só que despreza-me de uma maneira que eu não entendo. Playin' hard to get?, penso. Mas isso não faz grande sentido quando se decide tomar a dianteira. Ou faz? Faço-me difícil também, mas insisto - duas, três, quatro vezes. Nada muda, nem um sinal de reconhecimento. Farto-me.
(...)
Uma coisa adorável e reconfortante sobre o Porto é que ainda vai tendo aquela proximidade de vizinhança típica das cidades europeias de média dimensão. Conheço os cantos à casa, e o ambiente é-me estranhamente familiar. Como familiar é encontrar amigos perdidos pelos anos perdidos numa esquina da Baixa. [Outra coisa adorável e reconfortante da cidade é a de ter há muito renegado aquela claustrofóbica coscuvilhice tão querida ao provincianismo português].
Eu sabia que, mais tarde ou mais cedo, lá iria acabar por encontrar o moço, fosse pelo meio, pelos amigos ou pela cidade, de vista. Aconteceu, por fim, numa tertúlia política de fim-de-semana a que fui com dois bloquistas meus amigos. Fechei-me, porque não percebia o desprezo e ressentia a incompreensão (além de estar acompanhado, claro); não acedi, por isso, às suas insistentes tentativas de contacto visual, que eu lá ia fisgando de soslaio e que diziam "hey, eu conheço-te!". Nem quando se plantou a vinte centímetros de mim - conversava eu com um amigo, amigo dele também. Orgulho, teimosia, talvez, mas a culpa não era minha.
No mesmo dia, ao fim da tarde, vem dizer-me, pela net: "tentei por todas as maneiras que me reconhecesses, mas não deves ter reparado". Não te reconheci, é verdade, de tão mudado que te mostraste das outras vezes.
(...)
Durante as semanas e meses que se seguiram acabava por encontrá-lo nos mais diversos sítios - nunca o fazia de propósito, mas sentia sempre um gozo mórbido por poder ignorá-lo com cruel indiferença. E no Facebook, de vez em quando, uma boca sem outro intuito que não o de atiçar a crispação. Outra altura, na biblioteca, estava a estudar com um amigo particularmente bem parecido, e ele viu-nos; novamente o gozo: pensaria ele sermos namorados? Interrompi o estudo do meu amigo e disse-lhe: "ali está o meu arqui-inimigo gay". - Arqui-inimigo? Porquê? - Longa história; mas sei que ele me vê como a pior escumalha à face da terra: hipócrita, fútil, promíscuo, armariado, fascista... e, acredita, agora que ele te viu comigo também te toma assim! - Nabo. Vê-se mesmo que gostas dele... - (Oh).. Cala-te; estuda!
(...)
Há umas semanas excluiu-me do Facebook, já a purga de todo o ódio contra o mundo tinha começado a revolver o meu corpo (-precisamente ao fim do primeiro mês longe de casa). Agora, com a purga (quase) completa, ficam remorsos de não ter conduzido as coisas de outra maneira, porque até sei que ele é um puto simpático e interessante. Sei que, mais tarde ou mais cedo, vou ter que me confrontar com o Fuzzy para o duelo final, até à morte. Tem de ser porque sempre nos acabamos por encontrar, por acaso, no meio, de vista, no Porto, entre amigos. E ele ainda não sabe, mas vou inscrever-me num mestrado que só existe na faculdade onde ele estuda, no próximo ano. O desfecho aproxima-se e só um poderá sair vitorioso.
19.4.11
18.4.11
Boa vizinhança
13.4.11
11.4.11
As luzes da Broadway brilham sobre Victoria Harbour
他 Qual é o teu musical da Broadway preferido?
p. Hã?.. Sei lá. Nunca vi nenhum na Broadway!
他 Pensa num então; é o tema da festa de logo.
p. Hum.. e tu, qual vais escolher?
他 Também não sei. O Música no Coração, talvez. (previsível... estes asiáticos são tão pouco originais). O x quer as nossas respostas as soon as possible.
p. Ah ok. Ora deixa cá ver (pensa pensa pensa, esquece a Broadway, vai para Hollywood! --- percorre os clássicos, os rebeldes, os queers, os mais recentes --- ding!)
p. Já sei!
(o preferido provavelmente não; mas é um dos, sim)
Era a festa de aniversário de um amigo do 他, um jovem de 40 anos feitos com cara de miúdo reguila, fã de show tunes e de todo o imaginário broadwayesco, figura de proa do movimento LGBT em Hong Kong. O bar cheio de plumas vermelhas e gente mascarada (Cats, Phantom of the Opera, Mamma Mia, Lion King, Les Cage aux Folles), a creme de la creme, os Tonys desta cidade.
Grande noite in the city.
(男孩, desculpa não te ter dado a devida atenção. Depois ligo-te e vamos passear junto à baía, ver os arranha-céus (e) desaparecer entre o nevoeiro).
Hum, o meu musical da broadway preferido...
9.4.11
7.4.11
Transexuais com super-poderes ao som de Donna Summer
Esta coisa bizarra veio directamente da Indonésia para o festival de cinema de Hong Kong, onde a vi. Não encontro o trailer legendado, mas também não faz falta: uma transexual é atacada por uma milícia homofóbica e, por força do acaso (ou sabe-se lá do quê), vai parar a uma escola de dança bastante invulgar, em que os dançarinos treinam segundo uma antiga arte marcial. Cedo os mestres da escola percebem o potencial da transexual, que se vai transformando na super-heroína Madame X.
O filme é muito fraco mas divertido, cheio de clichés tão previsíveis que chegam a ser kitsch. Se alguma vez o apanharem num festival qualquer vão vê-lo; mas levem companhia para a galhofa.
*
Há maus filmes e maus vinhos que vêm por bem.
Estávamos deitados na areia a olhar para o céu, já muito ensonados, e a noite ainda nem ia a meio. (Hão de reparar como é fácil embebedarmo-nos com mau vinho). Fomos às Filipinas de fim-de-semana num voo low cost que tinha como destino uma antiga base militar americana ao largo de Manila. Preferimos ficar nas praias perto do aeroporto do que aventurar-nos por este país lindíssimo mas muito perigoso. Num desse resorts, os hotéis, restaurantes e bares têm o hábito de organizarem beach parties nas noites de sexta e sábado. Estávamos deitados na areia, e atrás de nós, numa mega rave, filipinos extasiantes dançavam ao som de Shania Twain.
Agora que penso nisso, o vinho era mesmo fraco, que vergonha... A Shania acabava de cantar e eu acabava a garrafa. Vira o disco e toca Disco, agora! Não sei porquê, mas quando tocado pelo álcool fico extremamente susceptível a música dos anos 70. Deve ser um síndrome qualquer, meticulosamente explicado pela ciência moderna. Começo a ouvir a batida e, aos primeiros acordes inconfundíveis da Hot stuff, dou um salto, o último gole, e parto a correr para a rave.
Gotta have some hot stuff, gotta have some love tonight! Hi there, (abro os olhos: está um miúdo filipino a dançar ao meu lado) do you wanna come dance with us? Hm, claro, obrigado! So, where are from, what's your name, and all that jazz? (é tão difícil conseguir separar a fala da música naquele estado), ..., E vocês, estão aqui de férias? Yeah, just for the weekend, we're students. (reparo nos amigos: o twink, duas raparigas castiças, e um lady boy mais alto e mais entroncado do que eu; porém, surpreendentemente, até bastante feminino). Hum, I have to tell you something: I'm gay. Sim, eu sei. You do? How?! Pela maneira como sempre que te viras para falar comigo me percorres a mão da perna até à barriga; mas não faz mal. Eheh, yeah, sorry about that. (depois o lady boy puxa-me para dançar com ele(a?), acaba a música, que salta uma década, e depois outra, e outra, e eu despeço-me e volto para a areia). Adormeço a ouvir o mar.
Às voltas em Manila, vemos quão naturalmente cartazes de pornografia homossexual convivem com merchandising católico de santos e crucifixos. 80% da população é católica e, entre estes, muitos transexuais (como o da noite anterior e o do filme), sem dúvida. Não parece haver problema de maior. Aliás, a religião parece ser ela também uma espécie de rave sagrada: passamos por uma igreja que anunciava num mega-cartaz uma "glorious party to celebrate God's awesomeness!". Nas Filipinas o Sumo Pontífice reconhecido não é certamente o Bento, mas o Barney.
Fui ao bar gay mais em voga de HK. Uma miséria, minúsculo e previsível. Numa das paredes vi o mesmo cartaz porno que tinha visto em Manila.
[Sobre as Filipinas: é um país pobre e subdesenvolvido, mas não ao ponto da miséria. A maioria das pessoas tem casa e não passa fome, e o clima (quente e húmido) é favorável às culturas do arroz e do milho. Os principais problemas são a segurança e a corrupção. O Estado é incapaz de garantir a ordem nas ruas, e é comum verem-se seguranças privados armados com shotguns.]
[Em Hong Kong as pessoas vivem nos 40s e 50s andares dos muitos arranha-céus, têm malas da Louis Vitton e vão jantar fora todos os dias. A cidade tem um dos PIBs per capita mais altos do planeta.]
(não sei, de facto, qual o panorama legal actual da questão LGBT, tanto nas Filipinas como em Hong Kong; vou ter que investigar isso. No entanto, não deixa de ser curiosa a discrepância aparente entre a armariada HK e a espalhafatosa Manila. Mas isso não quer dizer nada, claro.)
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