Ao cimo da Rua 31 de Janeiro há um grandessíssimo obelisco, guardado ao lado da Igreja de Sto. Ildefonso. Esse obelisco foi erguido em homenagem aos mortos da revolução falhada - para derrube da monarquia e instauração da república - que a rua celebra com o seu nome.
A parte séria já passou. A parte parva: Sugiro irmos beber um copo, dia 5 à noite, em frente a esse símbolo da luta anti-monárquica e da virilidade humana. Duas causas justíssimas!
29.9.10
28.9.10
26.9.10
Sinais de Fogo
[Nada a ver com Jorge de Sena, absolutamente nada. Roubo-lhe só o título; vem a propósito.]
Enche-me de ternura, quase paterna, na verdade, ver dois rapazes ou duas raparigas a trocarem uns carinhos, sinceros, sem show off, em plena luz e azafama do dia.
Quando se menciona a expressão "troca de afectos" imaginamos (ou melhor, esse espírito colectivo denominado "as pessoas", imagina) imediatamente duas bichas a tentarem, à força, engolir a cara um do outro. Gente completamente desprovida de todo e qualquer romantismo essa que pensa assim.
Em São Bento, parados a meio das escadas do metro, dois rapazes, dois twinks muito novinhos e engraçados, resolvem uma zanga de namorados com choro, abraços e beijos pelo meio. Ninguém fica atordoado com a cena, ninguém tira fotos mentais ao espectáculo melodramático. É um percalço do quotidiano, como outro qualquer.
Na bilheteira da Trindade, estou eu a tentar ler enquanto espero ser atendido. Ao meu lado um rapaz gordo de metro e noventa, loiro como um ovo, declamava: eu não posso ser gay, não há gays com o cabelo tão amarelo como o meu! Duas raparigas que o acompanhavam riam-se como perdidas; e eram tão giras, uma loira a outra morena, punk, hip e coiso, piercings, roupa justa, cabelo apanhado. Abraçavam-se e de vez em quando esfregavam os narizes e beijavam-se. Nem as velhotas que estão sempre nestes templos de burocracia se transtornavam com isto.
Galerias de Paris, este sábado à noite. Um grupo de bears, de equipamento completo como manda a praxe (cabedal: casaco, boina, botas, calças; correntes, óculos escuros, etc.) passava - provavelmente a caminho do Lusitano - em matilha, pelas hordas de tias, tios, queques e outras pessoas de bem, hippie chics, chic hippies, pseudo-artes, guests listed do Twins, trintões armariados, ..., enfim, como se fizessem parte da biodiversidade que pousa à noite naquela rua, sem disturbar minimamente toda esta fauna (bem, talvez os trintões...). Deveras fascinante!
Hoje chegou-me aos olhos um artigo do The Telegraph sobre a cidade do Porto. Esta frase ilustra bem o que eu acho que se anda a passar por cá: Porto, ideal for an autumn sun break in a relaxed, artful city that, unlike other supposed capitals of cool, prefers not to show off.
So true, so very true. A minha cidade está a crescer. Sem show off!
Enche-me de ternura, quase paterna, na verdade, ver dois rapazes ou duas raparigas a trocarem uns carinhos, sinceros, sem show off, em plena luz e azafama do dia.
Quando se menciona a expressão "troca de afectos" imaginamos (ou melhor, esse espírito colectivo denominado "as pessoas", imagina) imediatamente duas bichas a tentarem, à força, engolir a cara um do outro. Gente completamente desprovida de todo e qualquer romantismo essa que pensa assim.
Em São Bento, parados a meio das escadas do metro, dois rapazes, dois twinks muito novinhos e engraçados, resolvem uma zanga de namorados com choro, abraços e beijos pelo meio. Ninguém fica atordoado com a cena, ninguém tira fotos mentais ao espectáculo melodramático. É um percalço do quotidiano, como outro qualquer.
Na bilheteira da Trindade, estou eu a tentar ler enquanto espero ser atendido. Ao meu lado um rapaz gordo de metro e noventa, loiro como um ovo, declamava: eu não posso ser gay, não há gays com o cabelo tão amarelo como o meu! Duas raparigas que o acompanhavam riam-se como perdidas; e eram tão giras, uma loira a outra morena, punk, hip e coiso, piercings, roupa justa, cabelo apanhado. Abraçavam-se e de vez em quando esfregavam os narizes e beijavam-se. Nem as velhotas que estão sempre nestes templos de burocracia se transtornavam com isto.
Galerias de Paris, este sábado à noite. Um grupo de bears, de equipamento completo como manda a praxe (cabedal: casaco, boina, botas, calças; correntes, óculos escuros, etc.) passava - provavelmente a caminho do Lusitano - em matilha, pelas hordas de tias, tios, queques e outras pessoas de bem, hippie chics, chic hippies, pseudo-artes, guests listed do Twins, trintões armariados, ..., enfim, como se fizessem parte da biodiversidade que pousa à noite naquela rua, sem disturbar minimamente toda esta fauna (bem, talvez os trintões...). Deveras fascinante!
Hoje chegou-me aos olhos um artigo do The Telegraph sobre a cidade do Porto. Esta frase ilustra bem o que eu acho que se anda a passar por cá: Porto, ideal for an autumn sun break in a relaxed, artful city that, unlike other supposed capitals of cool, prefers not to show off.So true, so very true. A minha cidade está a crescer. Sem show off!
23.9.10
Resposta a Sérgio Vitorino
[no seguimento deste texto, e desta resposta]
Sérgio, antes de mais condescenda-me a opção de me continuar a dirigir a si na terceira pessoa. O discurso ganha, para mim, um tom de seriedade que não verifico quando feito na segunda pessoa.
E permita-me também continuar a tratar o assunto extraindo todo o mediatismo da coisa e seguindo uma linha de raciocínio clara. Serei, para tal, menos satírico desta vez.
A noção de Direitos Humanos - provavelmente a maior herança da Revolução Francesa e da escola contratualista oitocentista que sobreviveu ao tempo e nos chegou até hoje - é, pela sua essência, de âmbito universal. E isto porque representam um conjunto de princípios gerais sobre a natureza humana e a relação do Homem em sociedade com os seus pares (como estes aspectos são comuns a toda a Humanidade e a todos os povos conclui-se pela sua "universalidade"). Constituem portanto uma base de concordância política aceite por todas as sociedades que passaram pelo amadurecimento civilizacional do liberalismo de oitocentos e novecentos. Porém, seria infantil pensar que a sua "descoberta" trouxe a solução para prevenir qualquer conflito político. Todas as declarações de Direitos Humanos (sobretudo a de 1789 e a de 1948) constituem conjuntos de artigos onde se expressam princípios políticos moralmente ideais; não a chave para resolver problemas sócio-políticos complexos, com décadas (séculos!) de registos culturais, económicos, religiosos, sociais, que contribuem para adensar a trama e emaranhar cada vez mais uma eventual solução para conflito. Mas deixemos, por agora, a meta-política.
As Panteras Rosa não são um partido político (nem ambicionam tal coisa, julgo eu). Não apoiam a sua linha de acção num esquema político-filosófico que lhes permita tecer considerações com alguma profundidade sobre, por exemplo, questões de representação política, propriedade, conflito social, direito internacional, etc, etc. Qualquer membro, individualmente, tem obviamente essa aptidão; aptidão que se molda em conformidade com o seu pensamento político. Mas não faz sentido que o faça no âmbito de uma associação de lobbying político, como o são as Panteras. O horizonte político das associações deste tipo é, naturalmente, mais restrito porque está ligado, pela sua fundação, a uma causa social específica. É perfeitamente natural e desejável que uma associação de lobbying político concilie membros de diferentes escolas filosófico-políticas em torno da causa que se compromete a defender. Pôr isso de parte e passar a tecer declarações sobre conflitos políticos complexos (como o Israelo-Palestiniano), baseadas em princípios políticos ideais (a DDH), contra símbolos representativos (o Queer) da causa que supostamente defende, resulta numa ordem de prioridades que não é, claramente, coerente. E muito perigosa, por sinal, já que tende a provocar a alienação dos que defendem a causa (LGBT) mas que não concordam com a posição da associação nestas derivações circunstanciais.
O Sérgio põe as coisas nos seguintes termos - e, penso eu, é aí que está o seu erro de raciocínio: é necessário que os direitos humanos sejam uma questão LGBT. Invertendo as grandezas, inverte-se a ordem de prioridades e temos, agora, a base para uma acção política coerente sem correr o risco de parecer oportunismo mediático: é necessário que os direitos LGBT sejam uma questão de direitos humanos. Se as Panteras seguissem este último princípio em vez do primeiro nunca teriam emitido o dito comunicado.
Sérgio, antes de mais condescenda-me a opção de me continuar a dirigir a si na terceira pessoa. O discurso ganha, para mim, um tom de seriedade que não verifico quando feito na segunda pessoa.
E permita-me também continuar a tratar o assunto extraindo todo o mediatismo da coisa e seguindo uma linha de raciocínio clara. Serei, para tal, menos satírico desta vez.
A noção de Direitos Humanos - provavelmente a maior herança da Revolução Francesa e da escola contratualista oitocentista que sobreviveu ao tempo e nos chegou até hoje - é, pela sua essência, de âmbito universal. E isto porque representam um conjunto de princípios gerais sobre a natureza humana e a relação do Homem em sociedade com os seus pares (como estes aspectos são comuns a toda a Humanidade e a todos os povos conclui-se pela sua "universalidade"). Constituem portanto uma base de concordância política aceite por todas as sociedades que passaram pelo amadurecimento civilizacional do liberalismo de oitocentos e novecentos. Porém, seria infantil pensar que a sua "descoberta" trouxe a solução para prevenir qualquer conflito político. Todas as declarações de Direitos Humanos (sobretudo a de 1789 e a de 1948) constituem conjuntos de artigos onde se expressam princípios políticos moralmente ideais; não a chave para resolver problemas sócio-políticos complexos, com décadas (séculos!) de registos culturais, económicos, religiosos, sociais, que contribuem para adensar a trama e emaranhar cada vez mais uma eventual solução para conflito. Mas deixemos, por agora, a meta-política.
As Panteras Rosa não são um partido político (nem ambicionam tal coisa, julgo eu). Não apoiam a sua linha de acção num esquema político-filosófico que lhes permita tecer considerações com alguma profundidade sobre, por exemplo, questões de representação política, propriedade, conflito social, direito internacional, etc, etc. Qualquer membro, individualmente, tem obviamente essa aptidão; aptidão que se molda em conformidade com o seu pensamento político. Mas não faz sentido que o faça no âmbito de uma associação de lobbying político, como o são as Panteras. O horizonte político das associações deste tipo é, naturalmente, mais restrito porque está ligado, pela sua fundação, a uma causa social específica. É perfeitamente natural e desejável que uma associação de lobbying político concilie membros de diferentes escolas filosófico-políticas em torno da causa que se compromete a defender. Pôr isso de parte e passar a tecer declarações sobre conflitos políticos complexos (como o Israelo-Palestiniano), baseadas em princípios políticos ideais (a DDH), contra símbolos representativos (o Queer) da causa que supostamente defende, resulta numa ordem de prioridades que não é, claramente, coerente. E muito perigosa, por sinal, já que tende a provocar a alienação dos que defendem a causa (LGBT) mas que não concordam com a posição da associação nestas derivações circunstanciais.
O Sérgio põe as coisas nos seguintes termos - e, penso eu, é aí que está o seu erro de raciocínio: é necessário que os direitos humanos sejam uma questão LGBT. Invertendo as grandezas, inverte-se a ordem de prioridades e temos, agora, a base para uma acção política coerente sem correr o risco de parecer oportunismo mediático: é necessário que os direitos LGBT sejam uma questão de direitos humanos. Se as Panteras seguissem este último princípio em vez do primeiro nunca teriam emitido o dito comunicado.
18.9.10
Clichés da noite
Já não é a primeira vez que isto me acontece; começo a achar que estou destinado a seguir esta vida, qual missão humanitária.
O menino vai para a noite, para um bar muito jeitosinho na Baixa. Começa com um destes, suave, fresco, e muito em conta naquele sítio, e, não tarda, está a falar com a gaja boa que serve ao balcão, só pela piada (pela ironia) da coisa. Subitamente começa a dar isto e o menino é puxado, as like an invisible hand, para o meio da pista; e começa a fazer magia. Mais uns instantes (hora e meia) de disco dancing, e mais três destes, e o menino vê-se em cima de um degrau, junto ao DJ, a ensinar uma boa centena de pessoas que o seguem com reverente admiração, a dançar isto.
God, o menino é triste; mas nem se sente assim tão mal hoje de manhã. Não fosse já uma e meia da tarde.
(não me insultem pensando que iria por aqui uma foto de ontem. E eu sou muito melhor que o gajo de camisa.)
O menino vai para a noite, para um bar muito jeitosinho na Baixa. Começa com um destes, suave, fresco, e muito em conta naquele sítio, e, não tarda, está a falar com a gaja boa que serve ao balcão, só pela piada (pela ironia) da coisa. Subitamente começa a dar isto e o menino é puxado, as like an invisible hand, para o meio da pista; e começa a fazer magia. Mais uns instantes (hora e meia) de disco dancing, e mais três destes, e o menino vê-se em cima de um degrau, junto ao DJ, a ensinar uma boa centena de pessoas que o seguem com reverente admiração, a dançar isto.
God, o menino é triste; mas nem se sente assim tão mal hoje de manhã. Não fosse já uma e meia da tarde.
(não me insultem pensando que iria por aqui uma foto de ontem. E eu sou muito melhor que o gajo de camisa.)
16.9.10
As Panteras e Israel, ou o querer ser tudo e o acabar por não ser mais que ridículo
Li ontem no i, numa notícia acerca da abertura do Queer Lisboa, que as Panteras Rosa andam a divulgar um apelo "internacional" a exigir « a desassociação do Festival de Cinema LGBT do apoio recebido nos últimos 3 anos da Embaixada Israelita em Lisboa». Se quiserem ler a ridícula fundamentação desta medida informem-se aqui. Senão, eu faço o resumo: as Panteras consideram que o Estado Israelita tem tentado branquear os abusos cometidos contra o povo palestiniano pela aposta na imagem de um país tolerante e pró-direitos LGBT - "pinkwashing", segundo as Panteras. [Pouca gente sabe mas Israel foi na verdade o inventor do slogan "Esqueça as nódoas, confie no rosa!", descaradamente roubado por uma marca de detergente da roupa para a sua campanha televisiva.] A razão que terá levado Israel a apostar neste tipo de "washing", e não outro "washing" qualquer (os direitos dos animais, ou a protecção do ambiente, ou ainda a dos valores da democracia liberal), permanece um mistério. Certamente nada terá a ver com a vontade expressa nas urnas pelo povo israelita (como se isso quisesse dizer alguma coisa, puff!); os elevados níveis apresentados em praticamente todos os indicadores de desenvolvimento da ONU e estatísticas semelhantes nada terá a ver com a índole tolerante da sociedade israelita (as Panteras assumem, com extremo simplismo, que o conflito israelo-palestiniano é um movido pela intolerância religiosa; eu não acho que seja, mas isso é tema para outro post.)
O ridículo da coisa, se não salta à vista do leitor mais desinteressado, a mim quase me ofusca: as Panteras Rosa são uma associação de luta contra a homofobia, cujo principio que está na base da sua constituição é o de velar pelos direitos LGBTs e promover a mudança social nesse sentido. O Queer Lisboa é, provavelmente, o maior evento cultural relacionado com a temática Gay e Lésbica em Portugal. As Panteras Rosa estão a pedir que o Queer Lisboa sacrifique parte (importante, já que o festival é organizado por uma instituição sem fins lucrativos e, portanto, totalmente dependente dos apoios que consegue angariar) do seu orçamento para que a organização LGBT possa satisfazer um capricho politico e garantir o mediatismo da semana. Mais: o festival é apoiado, através de embaixadas e institutos, por mais cinco países. Vamos ver o que a história tem a dizer sobre eles, já que, por coerência lógica, se estamos a julgar o politicamente correcto caso Israelo-Palestininano, também temos que esmiuçar os outros apoios "criminosos":
Suíça: o sereno país dos Alpes foi a peça-chave que permitiu o financiamento da guerra do III Reich contra os Aliados (Portugal tem culpas no cartório, obviamente) bem como dos planos nazis de extermínio em massa e outras atrocidades, através do seu sistema bancário de extremo sigilo. Não esqueçamos que os cofres do Banco de Portugal em 1950 estavam cheios de ouro nazi, despachados da Alemanha via banca suíça.
Mais recentemente foi aprovada, em referendo nacional, uma lei que impede a construção de minaretes islâmicos em solo suíço - um gravíssimo atentado à liberdade religiosa. As Panteras nada têm contra os Suíços.
Espanha: nuestros hermanos são acusados de abafar os vários movimentos separatistas que co-habitam dentro da pátria castelhana, movimentos esses muitos ligados aos círculos anárquicos e de extrema esquerda que tanto fascinam as Panteras. Também nada contra os Espanhóis
Alemanha: (não duvido do vosso conhecimento da história do século XX)
França: idem; mas só para não argumentarem que recorro exclusivamente a águas há muito passadas, que dizer da actual política de imigração do governo de Nicolas Sarkozy. Nada, Panteras?...
Noruega: à partida nada contra um dos campeões na escala do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Mas no melhor pano cai a nódoa e, como os meandros da moralidade política são extremamente elásticos e, quando mal aplicados, como neste caso, servem todos os propósitos e não servem nenhum, não nos esqueçamos que a Noruega pertence à NATO!- o vil braço militar do imperialismo americano! Como os EUA são os principais aliados de Israel, tal facto, pela genealogia da política internacional, torna a Noruega cúmplice de Israel na criminosa ocupação de territórios Palestinianos!
Nada contra os Noruegueses, a não ser o constante aumento do preço da posta de bacalhau.
Por falar em posta de bacalhau; estão a ver o ridículo desta história toda?
E, no fim, quem é que as Panteras pretendem que seja o sacrificado das suas criativas investidas pelos domínios da Política Internacional? Um festival português de cinema LGBT.
Não, a sério, bom trabalho. Com activistas assim quem precisa de inimigos?
O ridículo da coisa, se não salta à vista do leitor mais desinteressado, a mim quase me ofusca: as Panteras Rosa são uma associação de luta contra a homofobia, cujo principio que está na base da sua constituição é o de velar pelos direitos LGBTs e promover a mudança social nesse sentido. O Queer Lisboa é, provavelmente, o maior evento cultural relacionado com a temática Gay e Lésbica em Portugal. As Panteras Rosa estão a pedir que o Queer Lisboa sacrifique parte (importante, já que o festival é organizado por uma instituição sem fins lucrativos e, portanto, totalmente dependente dos apoios que consegue angariar) do seu orçamento para que a organização LGBT possa satisfazer um capricho politico e garantir o mediatismo da semana. Mais: o festival é apoiado, através de embaixadas e institutos, por mais cinco países. Vamos ver o que a história tem a dizer sobre eles, já que, por coerência lógica, se estamos a julgar o politicamente correcto caso Israelo-Palestininano, também temos que esmiuçar os outros apoios "criminosos":
Suíça: o sereno país dos Alpes foi a peça-chave que permitiu o financiamento da guerra do III Reich contra os Aliados (Portugal tem culpas no cartório, obviamente) bem como dos planos nazis de extermínio em massa e outras atrocidades, através do seu sistema bancário de extremo sigilo. Não esqueçamos que os cofres do Banco de Portugal em 1950 estavam cheios de ouro nazi, despachados da Alemanha via banca suíça.
Mais recentemente foi aprovada, em referendo nacional, uma lei que impede a construção de minaretes islâmicos em solo suíço - um gravíssimo atentado à liberdade religiosa. As Panteras nada têm contra os Suíços.
Espanha: nuestros hermanos são acusados de abafar os vários movimentos separatistas que co-habitam dentro da pátria castelhana, movimentos esses muitos ligados aos círculos anárquicos e de extrema esquerda que tanto fascinam as Panteras. Também nada contra os Espanhóis
Alemanha: (não duvido do vosso conhecimento da história do século XX)
França: idem; mas só para não argumentarem que recorro exclusivamente a águas há muito passadas, que dizer da actual política de imigração do governo de Nicolas Sarkozy. Nada, Panteras?...
Noruega: à partida nada contra um dos campeões na escala do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Mas no melhor pano cai a nódoa e, como os meandros da moralidade política são extremamente elásticos e, quando mal aplicados, como neste caso, servem todos os propósitos e não servem nenhum, não nos esqueçamos que a Noruega pertence à NATO!- o vil braço militar do imperialismo americano! Como os EUA são os principais aliados de Israel, tal facto, pela genealogia da política internacional, torna a Noruega cúmplice de Israel na criminosa ocupação de territórios Palestinianos!
Nada contra os Noruegueses, a não ser o constante aumento do preço da posta de bacalhau.
Por falar em posta de bacalhau; estão a ver o ridículo desta história toda?
E, no fim, quem é que as Panteras pretendem que seja o sacrificado das suas criativas investidas pelos domínios da Política Internacional? Um festival português de cinema LGBT.
Não, a sério, bom trabalho. Com activistas assim quem precisa de inimigos?
15.9.10
Habemus cinemus
As sessões de cinema LGBT estão de volta ao Porto, pela mão do MICA-me. No 1ºs e 3ºs Sábados de cada mês, no Auditório do Grupo Musical de Miragaia, às 16h.
A primeira sessão é já neste Sábado, com o filme "The Color Purple" (1985) de Steven Spielberg
Os próximos filmes podem ser consultados aqui.
A primeira sessão é já neste Sábado, com o filme "The Color Purple" (1985) de Steven Spielberg
Os próximos filmes podem ser consultados aqui.
12.9.10
10.9.10
Não seja por isso!
ADENDA: Convém ouvir sempre a outra versão da história. Desta vez reconheço que a razão está do lado da gerência do Casal.
Dizem que o Casal anda a correr com as bichas mais histéricas para a esplanada, cá fora (o que só por si é totalmente incoerente do ponto de vista comercial; se pretendem afastar essa clientela do café não é boa ideia pô-la à porta, qual tapete de boas-vindas...). Nunca percebi estes cafés que são sustentados financeiramente pelo público gay e que, a certa altura, decidem morder a mão que lhes dá de comer - pior, de pagar. Um estabelecimento comercial (generalista, como o Casal) que não quer clientes é como um doente que não quer tratamento médico; o fim, para um ou para outro, é o mesmo e igualmente certo.
Atenção, não quero lançar o boato! Comprovem vocês mesmos se é verdade ou não. Se realmente for, ora:
Sugestões de alternativas (há muitas!): o Gran Caffé, a Brasileira, o Sical, naquela zona; o Progresso, a Casa de Ló e o (novo) Luso, em Carlos Alberto; o Café au Lait, o Candelabro, o Atelier (o mais bicha dos cafés do Porto), o Lobby, o CCBombarda, tantos, tantos, todos friendly, todos queer! É só escolher (vejam alguns aqui, por exemplo)
Dizem que o Casal anda a correr com as bichas mais histéricas para a esplanada, cá fora (o que só por si é totalmente incoerente do ponto de vista comercial; se pretendem afastar essa clientela do café não é boa ideia pô-la à porta, qual tapete de boas-vindas...). Nunca percebi estes cafés que são sustentados financeiramente pelo público gay e que, a certa altura, decidem morder a mão que lhes dá de comer - pior, de pagar. Um estabelecimento comercial (generalista, como o Casal) que não quer clientes é como um doente que não quer tratamento médico; o fim, para um ou para outro, é o mesmo e igualmente certo.
Atenção, não quero lançar o boato! Comprovem vocês mesmos se é verdade ou não. Se realmente for, ora:
Sugestões de alternativas (há muitas!): o Gran Caffé, a Brasileira, o Sical, naquela zona; o Progresso, a Casa de Ló e o (novo) Luso, em Carlos Alberto; o Café au Lait, o Candelabro, o Atelier (o mais bicha dos cafés do Porto), o Lobby, o CCBombarda, tantos, tantos, todos friendly, todos queer! É só escolher (vejam alguns aqui, por exemplo)
9.9.10
Poesia
Lembro-me de uma noite em que estava com uns amigos a tomar um copo no Passos Manuel, quando entra uma bichinha estridente aos saltos, perturbando a harmonia daquele ambiente. Diz-me um desses amigos, com a voz cheia de benevolência: Aquele rapaz bebe pelo gargalo das fadas. O mundo pareceu-me, subitamente, muito mais belo.
8.9.10
Soneto 10
Isto é mesmo mau.
(a palavra é livre, mas isso não a salva do juízo alheio.)
A poesia erótica (pornográfica?) quer-se brejeira, e não ordinária (em duplo sentido: vulgar e obscena). Assim, como a do Aretino:
Eu o quero no cu. Mulher, tu me hás
De perdoar se evito tal pecado,
Pois isso é iguaria de prelado
A quem já outro gosto não compraz.
Vai, mete-o aqui. Não. Sim, fa-lo-ás,
Porque não se usa mais deste outro lado,
Id est em cona; agora, mais agrado
Que na frente o caralho faz atrás.
Eu convosco me quero aconselhar;
Este caralho é vosso e se ele tanto
Vos deleita, só tendes que ordenar.
Eu o aceito, é meu; mete-o de canto,
Mais alto, e fundo, vai sem cuspinhar,
Oh, caralho leal, caralho santo!
Pois tomai-o quanto
Vos praza. Dentro ansiei por o acolher;
Se aqui ficasse um ano, que prazer!
(a palavra é livre, mas isso não a salva do juízo alheio.)
A poesia erótica (pornográfica?) quer-se brejeira, e não ordinária (em duplo sentido: vulgar e obscena). Assim, como a do Aretino:
Eu o quero no cu. Mulher, tu me hás
De perdoar se evito tal pecado,
Pois isso é iguaria de prelado
A quem já outro gosto não compraz.
Vai, mete-o aqui. Não. Sim, fa-lo-ás,
Porque não se usa mais deste outro lado,
Id est em cona; agora, mais agrado
Que na frente o caralho faz atrás.
Eu convosco me quero aconselhar;
Este caralho é vosso e se ele tanto
Vos deleita, só tendes que ordenar.
Eu o aceito, é meu; mete-o de canto,
Mais alto, e fundo, vai sem cuspinhar,
Oh, caralho leal, caralho santo!
Pois tomai-o quanto
Vos praza. Dentro ansiei por o acolher;
Se aqui ficasse um ano, que prazer!
McCoy
Este site é das coisinhas mais deliciosas que já descobri na net! O link está na lista ao lado.
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