18.9.10

Clichés da noite

Já não é a primeira vez que isto me acontece; começo a achar que estou destinado a seguir esta vida, qual missão humanitária.

O menino vai para a noite, para um bar muito jeitosinho na Baixa. Começa com um destes, suave, fresco, e muito em conta naquele sítio, e, não tarda, está a falar com a gaja boa que serve ao balcão, só pela piada (pela ironia) da coisa. Subitamente começa a dar isto e o menino é puxado, as like an invisible hand, para o meio da pista; e começa a fazer magia. Mais uns instantes (hora e meia) de disco dancing, e mais três destes, e o menino vê-se em cima de um degrau, junto ao DJ, a ensinar uma boa centena de pessoas que o seguem com reverente admiração, a dançar isto.
God, o menino é triste; mas nem se sente assim tão mal hoje de manhã. Não fosse já uma e meia da tarde.

(não me insultem pensando que iria por aqui uma foto de ontem. E eu sou muito melhor que o gajo de camisa.)

16.9.10

As Panteras e Israel, ou o querer ser tudo e o acabar por não ser mais que ridículo

Li ontem no i, numa notícia acerca da abertura do Queer Lisboa, que as Panteras Rosa andam a divulgar um apelo "internacional" a exigir « a desassociação do Festival de Cinema LGBT do apoio recebido nos últimos 3 anos da Embaixada Israelita em Lisboa». Se quiserem ler a ridícula fundamentação desta medida informem-se aqui. Senão, eu faço o resumo: as Panteras consideram que o Estado Israelita tem tentado branquear os abusos cometidos contra o povo palestiniano pela aposta na imagem de um país tolerante e pró-direitos LGBT - "pinkwashing", segundo as Panteras. [Pouca gente sabe mas Israel foi na verdade o inventor do slogan "Esqueça as nódoas, confie no rosa!", descaradamente roubado por uma marca de detergente da roupa para a sua campanha televisiva.] A razão que terá levado Israel a apostar neste tipo de "washing", e não outro "washing" qualquer (os direitos dos animais, ou a protecção do ambiente, ou ainda a dos valores da democracia liberal), permanece um mistério. Certamente nada terá a ver com a vontade expressa nas urnas pelo povo israelita (como se isso quisesse dizer alguma coisa, puff!); os elevados níveis apresentados em praticamente todos os indicadores de desenvolvimento da ONU e estatísticas semelhantes nada terá a ver com a índole tolerante da sociedade israelita (as Panteras assumem, com extremo simplismo, que o conflito israelo-palestiniano é um movido pela intolerância religiosa; eu não acho que seja, mas isso é tema para outro post.)

O ridículo da coisa, se não salta à vista do leitor mais desinteressado, a mim quase me ofusca: as Panteras Rosa são uma associação de luta contra a homofobia, cujo principio que está na base da sua constituição é o de velar pelos direitos LGBTs e promover a mudança social nesse sentido. O Queer Lisboa é, provavelmente, o maior evento cultural relacionado com a temática Gay e Lésbica em Portugal. As Panteras Rosa estão a pedir que o Queer Lisboa sacrifique parte (importante, já que o festival é organizado por uma instituição sem fins lucrativos e, portanto, totalmente dependente dos apoios que consegue angariar) do seu orçamento para que a organização LGBT possa satisfazer um capricho politico e garantir o mediatismo da semana. Mais: o festival é apoiado, através de embaixadas e institutos, por mais cinco países. Vamos ver o que a história tem a dizer sobre eles, já que, por coerência lógica, se estamos a julgar o politicamente correcto caso Israelo-Palestininano, também temos que esmiuçar os outros apoios "criminosos":

Suíça: o sereno país dos Alpes foi a peça-chave que permitiu o financiamento da guerra do III Reich contra os Aliados (Portugal tem culpas no cartório, obviamente) bem como dos planos nazis de extermínio em massa e outras atrocidades, através do seu sistema bancário de extremo sigilo. Não esqueçamos que os cofres do Banco de Portugal em 1950 estavam cheios de ouro nazi, despachados da Alemanha via banca suíça.
Mais recentemente foi aprovada, em referendo nacional, uma lei que impede a construção de minaretes islâmicos em solo suíço - um gravíssimo atentado à liberdade religiosa. As Panteras nada têm contra os Suíços.

Espanha: nuestros hermanos são acusados de abafar os vários movimentos separatistas que co-habitam dentro da pátria castelhana, movimentos esses muitos ligados aos círculos anárquicos e de extrema esquerda que tanto fascinam as Panteras. Também nada contra os Espanhóis

Alemanha: (não duvido do vosso conhecimento da história do século XX)

França: idem; mas só para não argumentarem que recorro exclusivamente a águas há muito passadas, que dizer da actual política de imigração do governo de Nicolas Sarkozy. Nada, Panteras?...

Noruega: à partida nada contra um dos campeões na escala do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Mas no melhor pano cai a nódoa e, como os meandros da moralidade política são extremamente elásticos e, quando mal aplicados, como neste caso, servem todos os propósitos e não servem nenhum, não nos esqueçamos que a Noruega pertence à NATO!- o vil braço militar do imperialismo americano! Como os EUA são os principais aliados de Israel, tal facto, pela genealogia da política internacional, torna a Noruega cúmplice de Israel na criminosa ocupação de territórios Palestinianos!
Nada contra os Noruegueses, a não ser o constante aumento do preço da posta de bacalhau.

Por falar em posta de bacalhau; estão a ver o ridículo desta história toda?

E, no fim, quem é que as Panteras pretendem que seja o sacrificado das suas criativas investidas pelos domínios da Política Internacional? Um festival português de cinema LGBT.
Não, a sério, bom trabalho. Com activistas assim quem precisa de inimigos?

15.9.10

Habemus cinemus

As sessões de cinema LGBT estão de volta ao Porto, pela mão do MICA-me. No 1ºs e 3ºs Sábados de cada mês, no Auditório do Grupo Musical de Miragaia, às 16h.

A primeira sessão é já neste Sábado, com o filme "The Color Purple" (1985) de Steven Spielberg

Os próximos filmes podem ser consultados aqui.

10.9.10

Não seja por isso!

ADENDA: Convém ouvir sempre a outra versão da história. Desta vez reconheço que a razão está do lado da gerência do Casal.

Dizem que o Casal anda a correr com as bichas mais histéricas para a esplanada, cá fora (o que só por si é totalmente incoerente do ponto de vista comercial; se pretendem afastar essa clientela do café não é boa ideia pô-la à porta, qual tapete de boas-vindas...). Nunca percebi estes cafés que são sustentados financeiramente pelo público gay e que, a certa altura, decidem morder a mão que lhes dá de comer - pior, de pagar. Um estabelecimento comercial (generalista, como o Casal) que não quer clientes é como um doente que não quer tratamento médico; o fim, para um ou para outro, é o mesmo e igualmente certo.

Atenção, não quero lançar o boato! Comprovem vocês mesmos se é verdade ou não. Se realmente for, ora:

Sugestões de alternativas (há muitas!): o Gran Caffé, a Brasileira, o Sical, naquela zona; o Progresso, a Casa de Ló e o (novo) Luso, em Carlos Alberto; o Café au Lait, o Candelabro, o Atelier (o mais bicha dos cafés do Porto), o Lobby, o CCBombarda, tantos, tantos, todos friendly, todos queer! É só escolher (vejam alguns aqui, por exemplo)

9.9.10

para o H.



o meu rabeta preferido.

Poesia

Lembro-me de uma noite em que estava com uns amigos a tomar um copo no Passos Manuel, quando entra uma bichinha estridente aos saltos, perturbando a harmonia daquele ambiente. Diz-me um desses amigos, com a voz cheia de benevolência: Aquele rapaz bebe pelo gargalo das fadas. O mundo pareceu-me, subitamente, muito mais belo.

playlist#3



8.9.10

Childish mood



Estou-me a passar! ARGHHH!!!

Soneto 10

Isto é mesmo mau.
(a palavra é livre, mas isso não a salva do juízo alheio.)

A poesia erótica (pornográfica?) quer-se brejeira, e não ordinária (em duplo sentido: vulgar e obscena). Assim, como a do Aretino:

Eu o quero no cu. Mulher, tu me hás
De perdoar se evito tal pecado,
Pois isso é iguaria de prelado
A quem já outro gosto não compraz.

Vai, mete-o aqui. Não. Sim, fa-lo-ás,
Porque não se usa mais deste outro lado,
Id est em cona; agora, mais agrado
Que na frente o caralho faz atrás.

Eu convosco me quero aconselhar;
Este caralho é vosso e se ele tanto
Vos deleita, só tendes que ordenar.

Eu o aceito, é meu; mete-o de canto,
Mais alto, e fundo, vai sem cuspinhar,
Oh, caralho leal, caralho santo!

Pois tomai-o quanto
Vos praza. Dentro ansiei por o acolher;
Se aqui ficasse um ano, que prazer!

McCoy



Este site é das coisinhas mais deliciosas que já descobri na net! O link está na lista ao lado.

7.9.10

QueerLx

foi divulgada hoje a programação do festival que começa dia 17.
Prometo examiná-la melhor quando tiver algum tempo livre. Uma ou duas coisas que saltam de imediato à vista, de tão deliciosas: Cabaret, de Bob Fosse, em reposição e comentado por Eduardo Pitta; Morocco, Josef von Sternberg com Marlene Dietrich, também em reposição; uma exposição dedicada a Mário Cesariny; L.A. Zombie, terror porno de Bruce La Bruce com François Sagat (:D); Do Começo ao Fim, o filme G mais falado do ano, que conta a história de amor entre dois irmãos brasileiros. E mais não digo, descubram vocês!

6.9.10

Amargura

Noto que a minha personalidade começa a ficar mais séria, mais azeda e rancorosa, coisa que me surpreende quando me quero divertir com amigos e não deixo de pensar nas últimas desilusões pessoais que este meio me vai trazendo. Fico a remoer isso, mesmo inconscientemente, e há noites em que nada me afasta dessa obsessão.
Ainda sou muito novo para me tornar amargo.

4.9.10

My new gay bar! (for Muslim men)

Se têm acompanhado o polémico projecto da construção de uma mesquita no Ground Zero de Nova York, saberão perfeitamente o clima de paranóia e crispação que anda a varrer os media americanos (sobretudo os mais conservadores, como a Fox News). Descobri pelo Google um outro projecto, promovido por Greg Gutfeld (humorista americano com inclinações políticas libertárias) de abrir, porta a porta com a dita mesquita, um bar gay para homens árabes - absolutamente verídico, juro! É um golpe genial e uma chapada de luva branca nos moralismos bacocos que, de um lado ou de outro, tentam ignorar a tradição liberal americana (after all, if they buy the land and they follow the law - who can stop them? GG). Mais aqui.

Do blog de Greg Gutfeld sobre este assunto:

The goal, however, is not simply to open a typical gay bar, but one friendly to men of Islamic faith. An entire floor, for example, will feature non-alcoholic drinks, since booze is forbidden by the faith. The bar will be open all day and night, to accommodate men who would rather keep their sexuality under wraps - but still want to dance.

Bottom line: I hope that the mosque owners will be as open to the bar, as I am to the new mosque. After all, the belief driving them to open up their center near Ground Zero, is no different than mine.

My place, however, will have better music.

O poder da livre iniciativa, meus amigos.

3.9.10

É mais firme

Gostei desta fotografia da Pamela Anderson, captada por Sante d'Orazio. Primeiro porque é elegante, no seu tom sépia. Depois porque demonstra que, afinal, a abundância da senhora ficou só pela zona mamária, apresentando um rabinho equilibrado. Mas, aqui entre nós, não gostei de nenhum do livro [The Big Butt Book]. Prefiro o do François Sagat. É mais firme.

Rodrigo Affreixo, Editor da secção Gay da TimeOut Porto

Aqui entre nós, eu também.











(se quiserem ver melhor, fica aqui o trailer de Homme au Bain, o novo filme do Christophe Honoré - o realizador do Les chansons d'amour - no qual Sagat participa como actor principal e que talvez, por obra e graça do divino espírito santo, possamos ver no QueerLisboa)