Este site é das coisinhas mais deliciosas que já descobri na net! O link está na lista ao lado.
8.9.10
7.9.10
QueerLx
foi divulgada hoje a programação do festival que começa dia 17.

Prometo examiná-la melhor quando tiver algum tempo livre. Uma ou duas coisas que saltam de imediato à vista, de tão deliciosas: Cabaret, de Bob Fosse, em reposição e comentado por Eduardo Pitta; Morocco, Josef von Sternberg com Marlene Dietrich, também em reposição; uma exposição dedicada a Mário Cesariny; L.A. Zombie, terror porno de Bruce La Bruce com François Sagat (:D); Do Começo ao Fim, o filme G mais falado do ano, que conta a história de amor entre dois irmãos brasileiros. E mais não digo, descubram vocês!
6.9.10
Amargura
Noto que a minha personalidade começa a ficar mais séria, mais azeda e rancorosa, coisa que me surpreende quando me quero divertir com amigos e não deixo de pensar nas últimas desilusões pessoais que este meio me vai trazendo. Fico a remoer isso, mesmo inconscientemente, e há noites em que nada me afasta dessa obsessão.
Ainda sou muito novo para me tornar amargo.
Ainda sou muito novo para me tornar amargo.
4.9.10
My new gay bar! (for Muslim men)
Se têm acompanhado o polémico projecto da
construção de uma mesquita no Ground Zero de Nova York, saberão perfeitamente o clima de paranóia e crispação que anda a varrer os media americanos (sobretudo os mais conservadores, como a Fox News). Descobri pelo Google um outro projecto, promovido por Greg Gutfeld (humorista americano com inclinações políticas libertárias) de abrir, porta a porta com a dita mesquita, um bar gay para homens árabes - absolutamente verídico, juro! É um golpe genial e uma chapada de luva branca nos moralismos bacocos que, de um lado ou de outro, tentam ignorar a tradição liberal americana (after all, if they buy the land and they follow the law - who can stop them? GG). Mais aqui.
construção de uma mesquita no Ground Zero de Nova York, saberão perfeitamente o clima de paranóia e crispação que anda a varrer os media americanos (sobretudo os mais conservadores, como a Fox News). Descobri pelo Google um outro projecto, promovido por Greg Gutfeld (humorista americano com inclinações políticas libertárias) de abrir, porta a porta com a dita mesquita, um bar gay para homens árabes - absolutamente verídico, juro! É um golpe genial e uma chapada de luva branca nos moralismos bacocos que, de um lado ou de outro, tentam ignorar a tradição liberal americana (after all, if they buy the land and they follow the law - who can stop them? GG). Mais aqui.The goal, however, is not simply to open a typical gay bar, but one friendly to men of Islamic faith. An entire floor, for example, will feature non-alcoholic drinks, since booze is forbidden by the faith. The bar will be open all day and night, to accommodate men who would rather keep their sexuality under wraps - but still want to dance.
Bottom line: I hope that the mosque owners will be as open to the bar, as I am to the new mosque. After all, the belief driving them to open up their center near Ground Zero, is no different than mine.
My place, however, will have better music.
O poder da livre iniciativa, meus amigos.
O poder da livre iniciativa, meus amigos.
3.9.10
É mais firme
Gostei desta fotografia da Pamela Anderson, captada por
Sante d'Orazio. Primeiro porque é elegante, no seu tom sépia. Depois porque demonstra que, afinal, a abundância da senhora ficou só pela zona mamária, apresentando um rabinho equilibrado. Mas, aqui entre nós, não gostei de nenhum do livro [The Big Butt Book]. Prefiro o do François Sagat. É mais firme.

Sante d'Orazio. Primeiro porque é elegante, no seu tom sépia. Depois porque demonstra que, afinal, a abundância da senhora ficou só pela zona mamária, apresentando um rabinho equilibrado. Mas, aqui entre nós, não gostei de nenhum do livro [The Big Butt Book]. Prefiro o do François Sagat. É mais firme.Rodrigo Affreixo, Editor da secção Gay da TimeOut Porto
Aqui entre nós, eu também.

(se quiserem ver melhor, fica aqui o trailer de Homme au Bain, o novo filme do Christophe Honoré - o realizador do Les chansons d'amour - no qual Sagat participa como actor principal e que talvez, por obra e graça do divino espírito santo, possamos ver no QueerLisboa)
2.9.10
Mercado das transferências
Diz-me a TimeOut de Setembro (já cá canta!) que a Nani (Petrova, apresentadora do show do Boys) mudou-se para o Pride - e levou com ela a Roberta também (!). Meus amigos(szz), tanto alarido em torno das transferências milionárias do futebol, como a de Roberto para o Benfica, e destas, verdadeiramente notáveis, ninguém fala! Regressa ao Boys a Amália, de certo para o lugar da ex-apresentadora do show. Fiquei ainda a saber que a Natasha Semmynova entrou para o elenco do velhinho bar da Cordoaria. Grandes mudanças, Miguel!Será que há mais novidades? Uma transferência da Susana Mastroianni para o Finalmente? Um comeback tardio da Belle Dominique?
This .. is .. RUGBY!!
E realizou-se mais uma das minha fantasias! O Porto conta agora com uma equipa de rugby para homens gays (os OPORTO SPARTANS), com jogadores tal e qual como estes aqui em cima (pelo menos é o que parece, pelas fotos). Além disso, também pelas fotos, percebe-se que costumam treinar em parques públicos(! :D). Se alguém conseguir identificar o sítio por favor diga!(acho que a Time Out de Setembro vai dedicar ao clube a secção gay desta edição. Ainda não a fui comprar, mas aguardem.)
31.8.10
A Garbo
excerto do documentário The Celluloid Closet (1995).
Eu queria por aqui a minha cena preferida deste Garbo movie - Queen Christina (melhor que já tenha visto acho que só o Ninotchka), mas o youtube não me concede esse prazer. É aquela muito conhecida, que é também encenada pelos miúdos do The Dreamers do Bertolucci, em que a Garbo, depois de ter acariciado toda a mobília do quarto com a ternura gelada que lhe é tão característica, diz para o seu amante latino, com a voz mais desesperadamente encantada:



Eu queria por aqui a minha cena preferida deste Garbo movie - Queen Christina (melhor que já tenha visto acho que só o Ninotchka), mas o youtube não me concede esse prazer. É aquela muito conhecida, que é também encenada pelos miúdos do The Dreamers do Bertolucci, em que a Garbo, depois de ter acariciado toda a mobília do quarto com a ternura gelada que lhe é tão característica, diz para o seu amante latino, com a voz mais desesperadamente encantada:



30.8.10
O garbo
É uma pena escrever-se tão pouco sobre o engate gay. Fossem as coisas tão fáceis como os 'de fora' acham que são - chegar, escolher e pimba - e o mundo gay seria, na verdade, muito mais gay (pelo menos para os que preferem a moda de centro comercial à alta costura; ou seja, o pronto a vestir ao feito à medida...). Ora atentem neste post.
Concordo totalmente com o Natcho, o autor do post, quando diz que a atracção física é a base de quase todo o tipo de relações. Mas, desde já, troco a palavra "beleza" que ele usa por "atracção"; explico já porquê. O post é um relato, caricaturado é verdade, mas mordaz na descrição do jogo de engatar e ser engatado que acontece na noite ou (um cenário menos interessante para explorar) na net. As categorias que ele escolheu confirmam-se. Os comportamentos das pessoas que nelas encaixam também. O dilema das pessoas feias exigentes é real e o diagnóstico difícil de engolir. Ainda assim, tenho uma visão mais optimista sobre este assunto. Eu digo que as pessoas feias podem conseguir engatar pessoas mais atraentes. E, para explicar como, vamos num instante ao Cinema:
Concordo totalmente com o Natcho, o autor do post, quando diz que a atracção física é a base de quase todo o tipo de relações. Mas, desde já, troco a palavra "beleza" que ele usa por "atracção"; explico já porquê. O post é um relato, caricaturado é verdade, mas mordaz na descrição do jogo de engatar e ser engatado que acontece na noite ou (um cenário menos interessante para explorar) na net. As categorias que ele escolheu confirmam-se. Os comportamentos das pessoas que nelas encaixam também. O dilema das pessoas feias exigentes é real e o diagnóstico difícil de engolir. Ainda assim, tenho uma visão mais optimista sobre este assunto. Eu digo que as pessoas feias podem conseguir engatar pessoas mais atraentes. E, para explicar como, vamos num instante ao Cinema:
Aqui em cima estão três pessoas a ter em consideração (desculpa Natalie Wood, toma lá 5€ e põe-te a andar). Duas delas são pessoas consensualmente bonitas. Duas são pessoas garbosas* (adoro este termo). O que reúne os dois atributos é, sem dúvida, a figura do meio, o meu Ideal de Homem Perfeito, o sempre desejado Jimmy Dean. O Keanu Reeves é um bom pedaço de carne. Mas, convenhamos: quem já tiver visto os seus filmes terá de concordar que é uma personagem irritante e completamente insossa. Resta o outro senhor, Mr. Bogart. Humphrey Bogart é frequentemente apontado como o protótipo do homem clássico, masculino mas sofisticado, misterioso, romântico (q.b.), inteligente e complexo. Foi a perdição de inúmeros mulherões, de Ava Gardner a Lauren Bacall. E, no entanto, era um homem feio. Não muito feio mas, ainda assim, dificilmente teria tido sucesso se tivesse preferido a carreira de modelo à de actor. Disparate? Talvez. Ou talvez já não consigamos apreciar a sua beleza sem a ver através da aura que encerra a figura, a postura, de Humphrey Bogart. É ou não este factor que é inconfundível e inigualável? Vejam-no, agora, enquanto Charlie Allnut (The African Queen), o papel que, à primeira vista, mais foge ao ideal de "homem clássico". Uh... sexy...?

A atracção não depende apenas da beleza física. Provavelmente dependerá apenas liminarmente. O que, pelo menos para mim, conta cem vezes mais é a postura, a genuinidade, a distinção, o garbo. Todas estas palavras exprimem a mesma coisa: a atracção que resulta de vários sinais de expressão que distinguem, dando complexidade e raridade, ao seu possuidor. Humphrey Bogart conquistava as mulheres pela fantasia da sua persona, não pelo seu aspecto. Porém, como disse em cima, a partir de certo ponto chega a a ser difícil distinguir estes dois elementos e, no fim, a fantasia costuma impor-se ao outro. O dilema das pessoas feias exigentes não é forçosamente um dilema. Só assim será se as pessoas, além de feias e exigentes, forem completamente desprovidas da capacidade de se tornarem garbosas. Nenhum Deus-grego seria capaz de resistir ao Bogey, acreditem. Nenhuma Deusa conseguiu.
Uma nota importante, para concluir: o problema que poderá derivar desta técnica de engate é o da falta de genuinidade e adequação. Ou, como se diz, a cara pode não bater com a careta... O culto do garbo é, antes de mais, uma descoberta da individualidade e da auto-confiança de cada um. Bogart usava a máscara que descrevi em cima; mas era o seu trabalho, como actor. Na vida real as coisas são mais complexas e, se queremos que o garbo resulte em atracção, não pode, por força, ser postiço ou copiado, sob o risco de redundar mais tarde ou mais cedo no ridículo. É verdade: todo um investimento e reflexão têm de ser feitos para depois poderem serem colhidos frutos mais proveitosos.
Eu acho que vale a pena. Mas isso também sou eu; há quem veja no Keanu Reeves o homem das suas vidas. Eu não.

*Garbo, da actriz sueca com o mesmo nome. Sem dúvida, a pessoa mais genuinamente garbosa que já existiu.
Eu acho que vale a pena. Mas isso também sou eu; há quem veja no Keanu Reeves o homem das suas vidas. Eu não.

*Garbo, da actriz sueca com o mesmo nome. Sem dúvida, a pessoa mais genuinamente garbosa que já existiu.
18.8.10
Ao Mário Machado e a toda a extrema Direita
My Beautiful Laundrette (1985)
se ao menos os nossos skinheads se parecessem com o Daniel Day-Lewis...
se ao menos os nossos skinheads se parecessem com o Daniel Day-Lewis...
16.8.10
Evidência empíriQa
Levar um amigo, rapaz, giro e totalmente hetero, a uma discoteca gay é uma experiência fascinante e muito divertida. Há muitas manias no público gay (pelo menos os rapazes hetero não costumam seguir) que os tornam desinteressantes. Desinteressantes para mim, sim; mas também para eles próprios. É o não 'faças aquilo que eu faço, faz aquilo que torna parecido com um homem hetero'... Go figure!
Entro eu, o rapaz e a namorada, dois dos meus mais queridos amigos. Ela, em êxtase com o ambiente (que desconhecia), despreocupada, deixa-o indefeso aos olhares furtivos das feras. Eu ajudo-o no que posso, agarro-o e abraço-o mostrando aos outros que a "presa" já tem dono. Mas adianta pouco. Passado uns minutos está ele encostado à parede, a rezar para que a noite passe depressa e para que saia de lá sem danos de maior (isto diz-lhe a cabeça dele, infestada com alguns preconceitos é verdade, mas que a situação na altura recomendava que ouvisse, para sua segurança). Foi uma noite marcante. Aprendemos todos um pouco: eu a ter mais cuidado quando levar lá amigos rapazes; ele a nunca mais aparecer lá sem se "arranjar" convenientemente para ir sair à noite G. Convenientemente passo a explicar.
O miúdo é bem parecido, sim, mas não é propriamente a capa de um catálogo de moda. Então? Muito simples: a forma de estar, de parecer, a postura marcadamente não queer (involuntária para ele, claro) tornavam-no único entre as centenas de pessoas que estavam na discoteca naquela noite, todas muito parecidas, em estilo, postura e, convenhamos, aspecto. Único e desejado, qual cordeirinho entre os leões.
Já explorei isto comigo próprio algumas vezes. Tendo em conta a dolorosa experiência do passado, o meu subconsciente já se habituou a dar instruções ao desejo (e a razão aconselha-me no mesmo sentido): não perder tempo com paixões ou paixonetas com rapazes heterossexuais. Não se ganha nada com isso. Não vale a pena se a alma for pequena ou a sexualidade incompatível.
No entanto, nada impede que me sinta atraído por um determinado protótipo de homem que reúne em si várias marcas não queer ou, se quiserem, hetero. E naturalmente não sou o único, como se viu naquela noite. Não é preconceito, é uma incoerência: a Comunidade deseja o homem hetero mas, individualmente, cultiva precisamente o oposto. Não falta num rapaz gay quando sai à noite a écharpe, a base, o risco, o penteado freak, a t-shirt da moda, ou a camisa muito justa.
Tenho a dizer que o tão proclamado bom gosto gay não se costuma reflectir na forma como os donos desse alegado "gosto" se apresentam (pelo menos quando esse "gosto" aprecia a imagem do homem hetero). É uma maquiavélica injustiça que o destino parece ter querido provocar sobre esta minoria. Um "gosto" que, claro, não aconselhou o meu amigo hetero quando este se arranjou para ir sair, quando não adivinhava ainda a minha proposta (logo acolhida com entusiasmo pela namorada) de naquela noite ir sair ao Zoom, quando nem ele nem ninguém - nem mesmo eu, confesso - suspeitava que ia acabar a noite violado por centenas de olhares indiscretos. Ele, um rapaz alto, de cabelo preto e curto, pólo escuro, calças de ganga, sapatilhas, fio de prata e levemente perfumado. Só.
Entro eu, o rapaz e a namorada, dois dos meus mais queridos amigos. Ela, em êxtase com o ambiente (que desconhecia), despreocupada, deixa-o indefeso aos olhares furtivos das feras. Eu ajudo-o no que posso, agarro-o e abraço-o mostrando aos outros que a "presa" já tem dono. Mas adianta pouco. Passado uns minutos está ele encostado à parede, a rezar para que a noite passe depressa e para que saia de lá sem danos de maior (isto diz-lhe a cabeça dele, infestada com alguns preconceitos é verdade, mas que a situação na altura recomendava que ouvisse, para sua segurança). Foi uma noite marcante. Aprendemos todos um pouco: eu a ter mais cuidado quando levar lá amigos rapazes; ele a nunca mais aparecer lá sem se "arranjar" convenientemente para ir sair à noite G. Convenientemente passo a explicar.
O miúdo é bem parecido, sim, mas não é propriamente a capa de um catálogo de moda. Então? Muito simples: a forma de estar, de parecer, a postura marcadamente não queer (involuntária para ele, claro) tornavam-no único entre as centenas de pessoas que estavam na discoteca naquela noite, todas muito parecidas, em estilo, postura e, convenhamos, aspecto. Único e desejado, qual cordeirinho entre os leões.
Já explorei isto comigo próprio algumas vezes. Tendo em conta a dolorosa experiência do passado, o meu subconsciente já se habituou a dar instruções ao desejo (e a razão aconselha-me no mesmo sentido): não perder tempo com paixões ou paixonetas com rapazes heterossexuais. Não se ganha nada com isso. Não vale a pena se a alma for pequena ou a sexualidade incompatível.
No entanto, nada impede que me sinta atraído por um determinado protótipo de homem que reúne em si várias marcas não queer ou, se quiserem, hetero. E naturalmente não sou o único, como se viu naquela noite. Não é preconceito, é uma incoerência: a Comunidade deseja o homem hetero mas, individualmente, cultiva precisamente o oposto. Não falta num rapaz gay quando sai à noite a écharpe, a base, o risco, o penteado freak, a t-shirt da moda, ou a camisa muito justa.
Tenho a dizer que o tão proclamado bom gosto gay não se costuma reflectir na forma como os donos desse alegado "gosto" se apresentam (pelo menos quando esse "gosto" aprecia a imagem do homem hetero). É uma maquiavélica injustiça que o destino parece ter querido provocar sobre esta minoria. Um "gosto" que, claro, não aconselhou o meu amigo hetero quando este se arranjou para ir sair, quando não adivinhava ainda a minha proposta (logo acolhida com entusiasmo pela namorada) de naquela noite ir sair ao Zoom, quando nem ele nem ninguém - nem mesmo eu, confesso - suspeitava que ia acabar a noite violado por centenas de olhares indiscretos. Ele, um rapaz alto, de cabelo preto e curto, pólo escuro, calças de ganga, sapatilhas, fio de prata e levemente perfumado. Só.
15.8.10
12.8.10
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